Imortalidade

Você não é um Imortal?
Se alguém jamais se apega às pessoas e aos desejos, seu coração jamais será quebrado.
Mas então… ele viveu verdadeiramente?
Preferiria morrer como um mortal que se importou com alguém, a ser um homem livre de sua própria morte.
(…)
Dizem que o Mestre e o aluno… caminham lado a lado.
Compartilham seu destino até que os caminhos se separam.
Nunca vou te esquecer.
Acho que esse é o verdadeiro significado de ser Imortal.

– The Forbidden Kingdom

Kung fu – O Reino Perdido

Kung Fu: Trabalho duro o tempo todo para adquirir habilidade.
Um pintor pode ter Kung Fu.
Ou o açougueiro, que corta a carne todo dia, com tanta habilidade que sua faca nunca toca os ossos.
Aprenda a forma, mas busque o que não tem forma.
Ouça o inaudível.
Aprenda tudo e esqueça tudo.
Aprenda o caminho, e então encontre o seu próprio.
O músico pode ter Kung Fu.
Ou o poeta, que pinta imagens com palavras e faz os Imperadores chorarem.
Isso também é Kung Fu.
Mas não dê nome a ele, meu amigo, porque ele é como a água.
Nada é mais suave do que a água… mas mesmo assim, ela pode dominar uma rocha.
Ela não luta… ela flui ao redor do seu oponente.
Sem forma, sem nome.
O verdadeiro Mestre reside em seu interior.
Apenas você pode libertá-lo.

– The Forbidden Kingdom

KOJIRO (HIROSHI INAGAKI)

Estrelado por: Tatsuya Nakadai

Encontrei um único colecionador que tem uma cópia deste filme. Não há qualquer informação sobre lançamento nem aqui nem no exterior.

Hiroshi Inagaki é um diretor bem conhecido no Ocidente. No Brasil, foi lançado o primeiro filme da trilogia Samurai, Musashi Miyamoto, o guerreiro dominante, cuja história corresponde a primeira parte do livro Musashi, denominado Terra (a trilogia completa só está disponível nos EUA). Além desse filme, foi lançado O homem do riquixá (1958), para mim, uma das melhores atuações de Toshiro Mifune no cinema. Aliás, ele também trabalhou muito com Inagaki, inclusive em filmes como Chushingura e Samurai Banners, estes disponíveis nos EUA.

Kojiro conta a história do famoso Sasaki Kojiro, um destemido samurai que quer lutar, a todo custo, com Miyamoto Musashi, o mais famoso ronin de todos os tempos. Tatsuya Nakadai interpreta Musashi neste filme.

Para quem não sabe, Nakadai foi um dos poucos atores a trabalharem com grandes diretores no final da década de 50, durante as décadas de 60 e 70. Foi descoberto por Masaki Kobayashi, enquanto trabalhava em uma loja. Com este diretor, trabalhou na trilogia Guerra e humanidade (seu primeiro trabalho), Harakiri, Rebelião, Kwaidan e Aqui termina o inferno. Também trabalhou com Kurosawa, fazendo muitos papéis de homem mau (quase sempre era rival de Toshiro Mifune), como Yojimbo e Sanjuro. Com este diretor trabalhou ainda em Céu e inferno (1963). Kagemusha e Ran são outros trabalhos com Kurosawa nos anos 80. Em 1999, fez uma participação especial no filme Depois da Chuva, de Takashi Koizumi e roteiro de Kurosawa. Trabalhou ainda com Mikio Naruse (When a woman ascends the stairs), Kon Ichikawa (A chave, Eu sou um gato), Hiroshi Teshigahara (A face de um estranho).

Fonte: Google

Uma série fenomenal – Por Douglas Donin

Aproveitando o sucesso de “Vagabond”, de Takehiko Inoue (publicado atualmente pela editora Conrad), vamos tratar, nesta coluna, de uma série de TV absolutamente fenomenal da qual muitos de vocês não devem nem ter ouvido falar – e que, se depender da boa-vontade das redes de TV nacionais, vai continuar sem conhecer por um bom tempo. Trata-se de “Musashi” superprodução de 2003 da rede japonesa NHK que, assim como a série de Inoue, é mais uma das inúmeras versões do grandioso romance épico de Eiji Yoshikawa, “Musashi”. E, assim como “Vagabond” aparentemente é a versão definitiva da famosa história nos quadrinhos, a série de 2003 da NHK é séria candidata a ser a sua mais grandiosa e bem-sucedida adaptação para as telas.

A história de Musashi já deu origem a dezenas de recriações no cinema (incluindo uma interessante trilogia com o espetacular Toshiro Mifune no papel-título) e várias novelas no Japão. Em 2003, foi a vez da NHK dar a sua versão do conto, trazendo a história do mais famoso espadachim da história em uma caprichada série de 45 capítulos, que seguem de perto – com pouquíssimas alterações – o material original, sendo bem mais fiel à estrutura da história e aos personagens de Yoshikawa do que “Vagabond”.

A produção é estrelada pelo carismático Ichikawa Shinnosuke, que, como no livro de Yoshikawa e na série de Inoue, às vezes parece um animal selvagem pronto para atacar. O ator é competente nas cenas de ação e tem o físico adequado para o papel (boa parte do sucesso de Musashi como lutador deve-se à sua força excepcional e ao seu físico avantajado). Otsu, a azarada amada de Musashi, é interpretada pela belíssima Yonekura Ryoko e o perigoso Sasaki Kojiro, o arqui-inimigo do herói, é representado com competência (e com aquele ar ideal de arrogância que o personagem pede) por Matsuoka Masahiro, ator e cantor bastante popular.

A produção é belíssima. A reconstituição e as locações são notáveis (o que não é surpresa no Japão, que mantém algumas tradições da época intocadas, com ambientes e localidades que não mudaram nada desde a época de Musashi até hoje). As cenas de ação e as lutas são realistas e bem planejadas, trazendo algumas vezes duelos altamente técnicos e metódicos, outras vezes, confrontos de puro caos. Os exageros marciais típicos da cultura nipônica – e que abundam até no livro, como pulos de vinte metros e demonstrações sobrenaturais de “sexto sentido”, entre outras façanhas lendárias – ficam de fora desta produção, que segue o caminho do realismo.

A trilha sonora é do mestre italiano Enio Morricone, que, embora não tenha composto uma obra prima à altura de suas obras mais famosas (“Os Intocáveis”, “Era uma vez no Oeste”, “A Missão”), consegue dar ainda mais emoção à história com uma trilha épica, com destaque para a bela música-tema, “Brivido di Guerra”.

Agora, o que interessa: quando esta série fenomenal chegará ao Brasil?

Aí, meu caro, estão as más notícias. Enquanto nós nos deliciamos com porcarias do quilate de “As Espiãs”, “Birds of Prey”, “Vermes Malditos: a série” (sabia desta? A Globo passa cada coisa de madrugada!), e versões nacionais para reality shows americanos de gosto bastante duvidoso, importar obras-primas como “Musashi” aparentemente nem passam pela cabeça dos executivos das TVs abertas. Seja pelo medo da rejeição do público devido à “intransponível” barreira cultural, seja pelo formato de exploração difícil (45 capítulos? Hmmm…), seja pela idéia mofada de que séries de artes marciais são coisas de criança, obras maravilhosas como essa são mantidas eternamente fora do alcance do espectador nacional. Não apostem que veremos esta série tão cedo!

Qual a solução? Bem, existem várias. A mais trabalhosa, mas também a única solução garantida, é aprender japonês e ver a versão original na NHK, disponível em alguns planos de TV por assinatura. A segunda é entupir de cartas e e-mails as suas emissoras de TV favoritas solicitando que comprem os direitos de exibição de “Musashi” (o que é muito improvável que funcione). A terceira é entupir de cartas e e-mails não as emissoras, mas as distribuidoras de DVDs, pedindo a mesma coisa (um pouco menos improvável, mas mesmo assim bastante difícil). Já a última solução, para a qual cada vez mais apela o esquecido público nacional (basta ver o fiasco do não-lançamento das Versões Estendidas de “O Senhor dos Anéis”), é colocar o papagaio no ombro, o olho de vidro, a perna de pau e vasculhar as redes P2P, mas sempre lembrando que isso é ilegal.

Agora, um pouco de história. O Rafael Cardoso já falou sobre Musashi aqui no Sobrecarga. Quem foi o homem por trás da lenda?

Musashi, um personagem menor de contos populares do Japão na virada do século passado, tornou-se mundialmente conhecido pela monumental obra “Musashi”, Eiji Yoshikawa, de 1935-39 (publicada originalmente no formato folhetim, no jornal Asahi Shimbum). Assim como os contos que a precederam, a narrativa de Yoshikawa é uma obra quase inteiramente ficcional, brandamente baseada no verdadeiro Musashi, o que não impede que seja uma das mais importantes – senão a mais importante – obras da cultura japonesa moderna. O livro é de muito fácil leitura, e absolutamente imperdível para qualquer um que admire a cultura japonesa, romances históricos ou de aventura. Foi lançado no Brasil em 1999 pela editora Estação Liberdade, em dois volumes.

Muito se diz, erroneamente, que Musashi foi o “maior samurai de todos os tempos”. Musashi foi um excelente espadachim – um dos maiores do Japão – e artista auto-didata, mas, como samurai, não merece muita menção. Na verdade, em seus 62 anos de vida serviu como samurai, oficialmente, em apenas em duas ocasiões: aos 32 anos, como inspetor de obras de Osagawa Tadanao (durante seis anos, onde ajudou a planejar e contruir tanto o castelo Akashi como a cidade de Himeji) e aos 51, ao serviço de Osagawara Tadazane, por um curto período de tempo. Também foi hóspede no castelo de Hosokawa Tadatoshi, por quem era bastante estimado, mas não chegou nesta época a exercer a vassalagem – o estilo de vida samurai certamente não o satisfazia. Desprezava rebeldemente o Bushido (o modo de vida do samurai) e seus preceitos espartanos, servis e excessivamente formais, preferindo, ao invés disso, um estilo de vida individualista e competitivo. Prova disso é a clássica discplicência do espadachim: enquanto os samurais deveriam primar pela aparência e pela etiqueta, para não envergonhar seus senhores, Musashi recusava-se a tomar banho, e frequentava despreocupadamente altos círculos sociais com roupa velha, sujo e com os cabelos desgrenhados.

Foi como duelista itinerante, e não como samurai, que Musashi se destacou. Durante toda a sua vida, colocou sua habilidade com a espada – e o seu imenso orgulho e determinação – à prova, lutando e vencendo mais de 60 duelos – vários deles contra múltiplos oponentes – e seis batalhas, a última, inclusive como estrategista. Conta-se que venceu, com apenas 13 anos, um samurai habilidoso munido apenas de um pedaço de madeira, uma fúria incontrolável e uma determinação de assustar qualquer um.

Aos 21 anos, Musashi enfrentou e expôs ao ridículo vários membros da escola marcial Yoshioka, considerada a maior do Japão na época (seu pai já havia derrotado esta mesma escola antes, na frente do Xogum). Alguns sustentam que Musashi foi, por um curto período de tempo, aluno desta escola, e que a desavença pode ter se originado de problemas pessoais com os instrutores e veteranos de lá. De qualquer forma, as vitórias de Musashi não somente destruíram a reputação dos Yoshioka, como fizeram a fama do espadachim atingir nível nacional.

Como espadachim, Musashi se destacava por uma técnica incomum: a utilização de duas espadas, simultaneamente, em combate. Não se sabe exatamente quando ou onde esta técnica foi desenvolvida, mas acredita-se que tenha sido fruto mais do instinto do que da razão, durante um combate particularmente caótico (no livro, Musashi desenvolve esta técnica instintivamente durante o terceiro e último combate contra os alunos da academia Yoshioka). No entanto, sabe-se que Musashi manejava com maestria mais de nove armas diferentes, e que tinha desprezo pela idéia de que um lutador deveria se especializar em uma técnica ou arma específica, pois um combatente, dizia, deveria saber utilizar o que estivesse à mão.

A imensa autoconfiança de Musashi – aliada ao costume dos duelistas da época de promover disputas públicas como modo de projetar fama (e garantir bons empregadores) – rendeu a ele adversários memoráveis. Seus duelos viraram verdadeiros espetáculos, e desde cedo muitas lendas exageradas passaram a acompanhá-lo. Entre elas, dizia-se que musashi podia voar e que derrotou dois monstruosos dragões! Estas lendas sobrevivem, graças à mistificação do personagem, até hoje.

Seu duelo mais famoso, no entanto, foi contra um excepcional samurai chamado Sasaki Kojiro, aos 28 anos, disputa arranjada por Nagaoka Sado. É dito que Musashi derrotou Kojiro – um dos maiores especialistas no Japão no uso da nodachi, uma espada especialmente longa – com um bastão esculpido em um remo a caminho da luta, o que é um feito absolutamente notável. Esta versão é contestada, e pelo menos uma fonte do período diz que alunos de Musashi venceram Kojiro após Musashi ter sido colocado fora de combate. Como o duelo possuía fortes interesses políticos envolvidos, é provável que nem uma versão nem outra estejam corretas. Diz-se que Musashi, em uma demonstração de criatividade e genialidade no uso da estratégia, fez questão de chegar no local combinado absurdamente atrasado, o que foi um ardil para deixar o orgulhoso Kojiro irritado e quebrar sua concentração para a luta.

Antes de morrer, Musashi recolheu-se a uma gruta e escreveu “O Livro dos Cinco Anéis”, um apanhado de conselhos e princípios marciais baseado em suas próprias experiências, escrito de maneira bastante técnica, e que constitui, ao lado de “A Arte da Guerra” de Sun Tzu, uma das mais importantes obras na arte do combate e da estratégia marcial. No entanto, ao contrário do manual de Sun Tzu, que é bastante geral e maleável, Musashi trata de detalhes específicos do combate com espadas, o que faz sua aplicação ser muito mais restrita. Mesmo assim, muito antes da explosão do charlatanismo de auto-ajuda empresarial este livro já era tradicionalmente usado – para divertimento dos orientais e dos esgrimistas – como uma espécie de manual do homem de negócios por certos gurus da administração no ocidente, os quais fazem verdadeiras acrobacias de interpretação para adequar às empresas conselhos da duvidosa aplicabilidade no mundo dos negócios, como “não agarre a espada firmemente demais” e “espingardas possuem pouca precisão a grandes distâncias”. Até hoje, o contexto verdadeiro do livro é posto de lado, fazendo-o ser vendido quase unanimemente nas livrarias na categoria “administração”. Vai entender…

Musashi foi também foi pintor, escultor, poeta, calígrafo e filósofo. Morreu aos 62 anos, pouco depois de completar seu livro, como eremita, possivelmente de câncer. Um destino curioso para um guerreiro tão formidável!

Blade: A Lâmina do Imotal ganha anime!

Por: Anime Pró – 27/03/2008

Quando o mangá Blade – A Lâmina do Imortal (Mugen no Juunin) começou a ser publicado em 2003 no Brasil, muitos leitores se questionaram a série não contava com uma adaptação em animê. Publicado desde 1994 na revista Afternoon, Blade é um título conhecido no Japão, mas muitos fãs realçavam o fato do quadrinho possuir um traço extremamente pesado e bem acabado, que perderia seu expressionismo caso ganhasse série animada. Mas para a alegria de alguns, e tristeza de outros (se é que um novo animê pode receber esta classificarão), a versão animada da série foi confirmada para começar a ser exibida ainda em abril.

O animê é uma produção do estúdio Bee Train (responsável, entre outros, pela série de animês .Hack//) com direção de Koichi Mashimo, que já havia trabalhado no estúdio no animê Popolocrois. A série é baseada no mangá de Hiroaki Samura, que conta a história de Manji, um ronin que ganhou a capacidade de ser imortal. Passado em um Japão Feudal, a trama começa quando Rin, a herdeira de um famoso dojo pede ajuda ao samurai imortal para se vingar do assassino de seu pai.

O site oficial do animê já se encontra no ar. Nele é possível conferir a primeira imagem do desenho, e ainda perceber como o design dos personagens se encontra próximo ao original. Para conferir, acesse http://mugen.kc.kodansha.co.jp/

O DÉCIMO TERCEIRO LIVRO

O LIVRO DO MORTO
(escrito no lutador de sumô)

Peito

A morte não é necessariamente um livro velho e usado
Com páginas secas.
Pode haver mil páginas
De um texto forte e brilhante
Num corpo poderoso,
Mantido ereto por uma espinha forte.
O coração quase não bate, pois a quietude foi alcançada,
O torso é como uma rocha,
As pernas estão enraizadas, a tinta está segura.
Se as palavras na morte podem ser consideradas esvaecidas
E murchas – onde estará a dignidade em morrer?

Perna

“Estou velho”, disse o livro.
“Eu estou mais velho”, falou o corpo.
Arrepios gelados do pé para cima.

Braço

Diferentemente da água, o papel não se congela
Ou se condensa em vapor
Ele não ferve.

Costas

O livro para terminar todos os livros.
O livro final.
Depois dele não há mais escrita
Não mais publicação.
O editor deveria se aposentar

Barriga

Os olhos enfraquecem, a luz se ofusca.
Os olhos estão semiserrados. Eles piscam.
A palavra é vítima da falência do foco.
A tinta esmaece, porém a impressão se intensifica.
No fim as páginas apenas sussurram em deferência.
O desejo diminui.
Apesar dos sonhos de amor ainda perdurarem
A esperança de consumação diminui,
Qual será o final de todas essas esperanças e desejos?
Aqui vem o final.

Nádegas

Esta é a escrita de Nagiko Kiyohara no Motosuke Sei Shonagon,
E eu sei que você chantageou, violou e humilhou meu pai.
Eu suspeito que você também arruinou meu marido.
Você agora cometeu o maior dos crimes
Você dessacralizou o corpo do meu amante.
Você e eu sabemos que você já viveu tempo demais.

O editor lê, entre atônito e conformado, o texto do último livro. O lutador de sumô, no
qual o livro está escrito, corta o pescoço do editor com a sua anuência.
A honra do pai e do amante de Nagiko está vingada.