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Arquivo da categoria ‘Memórias de uma Gueixa’

Minhã mãe dizia que eu era como a água.
A água abre caminho mesmo através da rocha.
E diante de algum obstáculo, ela encontra outro rumo.

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A Perda

No templo há uma poesia chamada “A Perda”, entalhada na pedra.
Ela consiste de 3 palavras que foram rasuradas pelo poeta.
Não se pode ler “A Perda”.
Só senti-la.

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Naquele momento eu deixei de ser uma menina com uma vida vazia para alguém com um propósito.
Percebi que ser gueixa poderia me trazer uma coisa: um lugar no mundo.

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Gueixas não são cortesãs. E também não somos esposas. Vendemos nossos talentos, não nossos corpos. Criamos um mundo secreto, um lugar somente de belezas. O termo “gueixa” significa “artista”. E ser uma gueixa é ser julgada como uma obra de arte em movimento.

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O coração morre lentamente perdendo as esperanças como folhas de outono. Até que, um dia, nada resta. Nenhuma esperança. Não resta nada.

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Ela se pinta para esconder o rosto, seus olhos são águas profundas. Gueixas não tem desejos. Gueixas não tem sentimentos. A gueixa é uma artista de um mundo imaginário. Ela dança. Ela canta. Ela o entretém. O resto é escuridão. O resto é segredo.

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