O LIVRO DO IDIOTA
(escrito no sueco mais velho)
Garganta e Alto do Peito
Esta é uma caixa triste de um livro cheio de palavras
Mas com pouco significado.
Ele soa oco quando se ausculta para entendê-lo.
Pois vago, vazio, e de olhos esbugalhados numa página
Ele fala algaravia e alto nonsense no texto,
Seus pulmões são ruidosos enquanto ele está silente.
Ele é silente quando sopra e arqueja para fazer o maior barulho.
Barriga
Talvez deveria haver paciência e pathos
Reservadas para este idiota congênito,
Babando, chupando seu dedo,
Digerindo seus pensamentos.
Coçando sua cabeça e sua barriga.
Procurando por pulgas entre as páginas de suas pernas.
Mas tal simpatia e paciência são aqui desperdiçadas.
Quadril e Braços
Ou talvez deva haver cuidado
E admiração secreta pelo livro-idiota
Que tem licença para falar a verdade através do humor.
Um tolo pode, com proveito, esvaziar a presunção
Mas essa admiração é aqui desperdiçada.
Alto das Costas
Este livro não possui a virtude da ironia
Nem merece a simpatia devida aos realmente loucos.
Entre o ruído alto e o silêncio vacante não há nada de substancial.
Baixo das Costas
Como você lê um tal livro?
Talvez você não leia ou não consiga.
Talvez melhor – ele possa ser reutilizado, reescrito.
Nádegas
Talvez deveríamos virar as costas a ele.
Poderemos encontrar espaço
Entre sua maior prega de arrogância flatulenta
Para outro livro
Deveríamos retomá-lo para uma outra tentativa
Para que não seja largado e perdido
Esquecido em alguma prateleira baixa.
Mantido como papel usado na privada.


